O vento está presente em toda a história da humanidade, apesar de poucas vezes ser citado como protagonista. Aqui e ali, soprou ideias aos inventores, semeou novos caminhos, moveu caravelas, alimentou incêndios, limpou o ar poluído, carregou balões… Também marcou presença em diversas histórias épicas que fazem parte do nosso imaginário. No cinema, é inevitável citar o drama romântico  “E o Vento Levou”. E, na literatura brasileira, a obra clássica de Érico Veríssimo “O Tempo e o Vento”.

VENTO-BALÃO

Como um motor oculto da vida cotidiana, o vento refresca ambientes, carrega poeira e permeia a sabedoria popular, em expressões e ditados repetidos “aos quatro ventos”. Mas sabemos tão pouco sobre ele!

Entre os ditados mais famosos, e com razão, está “quem semeia vento colhe tempestades”. A expressão tem pelo menos duas fontes memoráveis: a Bíblia (Provérbios) e a Odisseia, poema épico da Grécia antiga atribuído a Homero, com as aventuras de Ulisses.  O texto épico conta o retorno de Ulisses (ou Odisseu) a sua terra natal, Ítaca, depois da guerra de Tróia. E não são poucas aventuras. Depois de uma guerra de dez anos, ele leva mais dez para conseguir retornar a casa. No caminho encontra sereias, ciclopes e deuses. Entre eles o deus Eolo, senhor dos ventos, que dá de presente a Ulisses um saco de couro contendo todos os ventos, menos o vento oeste, deixado livre para conduzir a embarcação até Ítaca. No entanto, Ulisses é relapso com a segurança do presente e, justo quando Ítaca aparece no horizonte, seus marinheiros resolvem abrir o saco, soltando todos os ventos e provocando uma tempestade que leva a embarcação de volta à ilha onde mora Eolo, que se recusa a ajudá-lo novamente,  sentenciando: “quem semeia vento colhe tempestades!”

VENTO-MAR

Pedindo licença ao deus grego, precisamos lembrar que nem todos os ventos são prenúncio de tempestade. A palavra vento é um genérico que inclui ventos constantes, periódicos, locais, variáveis ou… destruidores. Na dúvida para saber a sua velocidade, é preciso usar um aparelho chamado anemômetro. Para descobrir a direção e o sentido, usa-se uma biruta ou anemoscópio.

VENTO-BIRUTA

O certo é que o pior resultado para Ulisses seria um tornado, que chega a 500 Km/h, costuma atingir as zonas temperadas do hemisfério norte e é uma versão concentrada de ciclone. Um ciclone com trajeto circular já é furacão, se surgir no mar do Caribe ou nos Estados Unidos. Porém, se o ciclone se formar na Ásia (Oceano Pacífico) torna-se um tufão. Na Austrália e demais países ao sul da Oceania, recebe o nome engraçado de Willy-Willy.

Já deu para perceber que o melhor é não pegar carona com Ulisses e não experimentar sequer um vendaval (ventos de até 150 Km/h), que ocorre geralmente de madrugada e pode durar cinco horas…

VENTO-GOOD

Para aproveitar bem a praia, o aconselhável é desfrutar da brisa. Conforme as classificações, brisas são repetitivas – e muito agradáveis. Podem ser marítimas, que sopram do mar para o continente e refrescam o dia; ou terrestres, que vão da terra para o mar e acontecem à noite.

VENTO-CABELO

Para a navegação e prática de esportes são recomendados ventos regulares e amenos (também indicados para empinar pipas), como os alísios, que sopram dos trópicos para o equador. São os ventos alísios que passam pelo Cumbuco com força total, pois não encontram nenhum obstáculo natural pelo caminho, e criam o ambiente ideal para a prática de kite e windsurf.

Esquecendo um pouco as nomenclaturas, o principal é deixar os cabelos ao vento. Esquecer os problemas em um animado passeio de buggy ou na aventura de um velejo.

Agora sabendo um pouco mais sobre o que pedir ao deus Eolo, vale desejar aos amigos, em caso de viagem, que bons ventos (alísios!) os levem.

VENTO-KITE

*Obs: clique aqui para saber maiores informações sobre as escalas de vento para a prática do kitesurf!

 

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